Lenda ''O Sacrificio''



Os meus pais tinham uma enorme vontadede ir morar em um lugar mais tranquilo e decidiram comprar uma casa ,numa pequena cidade, perto de Coimbra, onde a minha mãe nascera. Num Sábado de manhã, o meu pai acordou toda a família para que fossemos conhecer a nova moradia.A povoação situava-se no alto de uma montanha. Embora pensasse que a estrada em que seguíamos era a única a dar acesso á localidade, reparei, entretanto, que um velho caminho se perdia por entre as árvores, que acabava por desembocar numa encruzilhada. Mais tarde o meu pai explicou-me que esse caminho era frequentado por ciclistas ou pedestres, quando estes visitavam o mosteiro abandonado. A minha mãe contou-me que aquele fora o último local onde ela assistira a uma missa, quando tinha apenas 4 anos.Todavia, o mosteiro acabou sendo fechado, porque era muito antigo e a estrutura estava velha. Após o fechamento das suas portas haviam alguns rumores de que se praticavam rituais satânicos no local, onde, entre outras coisas, se sacrificavam animais. Chegou mesmo a dizer-se que, por aqueles lados, aparecia o cadáver de uma menina com cortes profundos por todo o corpo, assim como alguns símbolos estranhos tatuados."Não quero que você se aproxime daquele local, certo? Não é um sítio apropriado para uma menina de 10 anos", disse-me a minha mãe, enquanto o meu pai lhe segurava na mão e a olhava fixamente.Embora não encontrasse explicação, havia algo que me atraía para aquele lugar. Nessa noite não consegui dormir, pois só pensava em toda aquela informação macabra que me tinham revelado. A curiosidade apoderava-se de mim!...



Massacre de Sangue



Na manhã seguinte, conhecemos o nosso vizinho Luís, um senhor bastante estranho e solitário. Era extremamente magro, com umas olheiras escuras. Não consegui evitar sentir um arrepio na espinha quando, ao apertar-me a mão, senti a sua, fria como gelo.Embora não tenha falado muito, foi cordial com os meus pais, mas esperou o melhor momento para olhar-me directamente nos olhos, em silêncio. Era como se quisesse dizer-me algo muito importante...Logo no primeiro fim de semana, a minha mãe incentivou-me a sair com um outro vizinho, da minha idade, e os seus amigos. Pela primeira vez, permitiram-me chegar a casa à hora que quisesse. Não conseguia esquecer a história tenebrosa do mosteiro e propus a todo o grupo que fossemos até lá, perto da meia-noite. Eles negaram-se e eu, envolvida pelo mistério, decidi ir sozinha. Cheguei á porta do local sagrado e entrei. Estava tremendo de medo, mas ao mesmo tempo não queria perder um só detalhe do que via. O interior estava em ruínas e era escuro, mas esse fato não me impediu de ver todas as pinturas das paredes: frases escritas em latim e manchas escuras que pareciam sangue. Entrei na sala onde se encontrava o altar e surpreendeu-me o facto de estar completamente iluminado com velas.De repente, ouvi um grande ruído e quando tentei gritar, senti um pano húmido na minha cara e acabei caindo, no chão, desmaiada.



Já era tarde demais



Imobilizada, despertei no altar, completamente nua, apenas com um lençol fino cobrindo o meu corpo. Olhei á minha volta e vi que estava rodeada de dezenas de pessoas vestidas com túnicas negras. Naquele momento, Luís, o vizinho, aproximou-se de mim e quando tentava pedir-lhe ajuda, reparei que ele tinha um afiado punhal e se dirigia para mim. Fechei os olhos com toda a força e, depois de ouvir pronunciar algumas palavras, notei que um fio húmido escorria pelo meu pescoço. Entre os gritos tresloucados, perante o sacrifício que se acabava de realizar, fui desfalecendo lentamente. Justamente antes de morrer, compreendi com que finalidade fizera aquela viagem.A última imagem que me chegou aos olhos, antes deste se fecharem para sempre, foi a dos meus pais e a do meu irmão. Para minha surpresa, estavam a bebendo um copo de sangue ainda quente...

2 comentários:

Sandra Helena* disse...

Tenso...

Carol disse...

quando chegou na parte q a menina d 10 anos resolveu ir sozinha a meia noite... parei d ler.... tem uma historia bem legais aqui... mas outras ....